Tem algo de errado com a nossa geração?

A nossa geração é mais burra que a geração anterior e a próxima geração será mais burra que a nossa. Está certo isso? Na minha opinião, não. Nem mais burros e nem mais espertos ou inteligentes. Esses comparativos sempre existiram e sempre existirão, mas na verdade não há que se questionar se uma geração é mais burra que a outra. São gerações diferentes, que vivenciam coisas diferentes e que pensam de maneiras diferentes. Mais burros? Jamais.

Vou pegar aqui como exemplo a geração Y, que é a que eu faço parte, já que eu nasci nos anos 80. A minha geração presenciou enormes e inúmeros avanços tecnológicos e tudo de maneira acelerada. Por sermos jovens e de fácil adaptação, esse avanço tecnológico não nos provocou resistência. Em um ano estávamos fazendo trabalhos escolares pesquisando em livros e enciclopédias na biblioteca e no outro já estávamos nos habituando a utilizar a internet. Em um ano assistíamos filmes em fitas VHS e no outro já começamos a nos adaptar ao DVD. E quando os celulares chegaram às nossas vidas? Bom, né? Quem se imagina nos dias de hoje sem aquele aparelhinho ultra moderno?

Quem criou a maioria dessas inovações? A geração X e também os Baby Boomers. Mas quem está aprimorando o que já foi criado, além de inventar coisas novas? A geração Y. Vejam novamente que a palavra burrice não é cabível para ninguém.

Ah, mas somos uma geração mais alienada! Não, não somos. É ruim generalizar e colocar uma geração inteira em xeque. A minha geração é mais imediatista e vai atrás da informação fácil, criou hábitos diferentes quando o assunto é comunicação, mas isso não quer dizer que somos alienados. Temos excesso de informação dentro de gente. É claro que nem sempre a qualidade dessa informação é a melhor, mas vai da vontade de cada um querer aprender mais (ou aprender melhor).

As gerações se comportam de maneira distinta com relação ao que consideram importante, seja para obter sucesso no trabalho ou na vida. A geração dos meus pais, por exemplo, foi criada de uma maneira diferente da minha, a dos meus avós foi diferente da dos meus pais, e assim sucessivamente. Isso se dá por diversos motivos, mas, no fim, o que importa é que, quando se tem filhos, você quer proporcionar o que há de melhor para ele. Você faz as suas vontades, superprotege, passa a mão na cabeça e não corta (ou demora a cortar) o cordão umbilical, o que acaba atrapalhando seu filho na hora dele poder tomar as próprias decisões e seguir em frente. Na intenção de ajudar, os pais acabam errando. É cultural, mas hoje em dia isso está mais crônico.

Mas errar tentando acertar é uma coisa, errar sabendo que irá errar, é outra. Quem aqui é capaz de dizer que os pais tomaram certas atitudes para propositalmente prejudicar os filhos? Em uma situação normal isso é algo que simplesmente não existe. Quando algo dá errado é fácil levantar o dedo e dizer “A culpa é dos meus pais!”, mas não… É claro que a maneira como somos criados influencia nosso modo de agir, pensar e ver a vida, mas vai da personalidade de cada um de nós correr atrás dos nossos objetivos e não nos deixar nos acomodar diante das adversidades que o mundo nos impõe.

Uma coisa importante que sempre devemos ter em mente é que os filhos devem ser criados para o mundo. É importante cuidar, mas é mais importante ainda deixá-los libertos.

Os três amores das nossas vidas

Um tempo atrás li um artigo que falava sobre os três amores que nós temos ao longo da vida. Não falo com relação ao amor fraterno de pai para filho, e sim aquele amor que surge entre dois completos estranhos quando eles começam a se relacionar. Eu, particularmente, concordei bastante com o tal artigo, então resolvi compartilhar com vocês as ideias principais que eu consegui absorver do texto.

O primeiro amor das nossas vidas é aquele amor do tipo conto de fadas e que ninguém é capaz de mudar nossa opinião quanto a isso. É apenas amor. Amor arrebatador por alguém que te tira do chão, algo quase irreal. Não costuma durar muito, mas te deixa boas lembranças para sempre.

Já o segundo amor das nossas vidas é um amor em que nós aprendemos muito com ele. É o amor mais duro, onde você descobre o que quer e o que você não quer. É um amor mais desafiador, que parte o coração, que te faz sofrer, mas que te traz lições.

O terceiro amor de nossas vidas é o amor que é simplesmente fácil. Você não precisa tentar se esforçar em nada, ele simplesmente funciona. É leve. As discussões não são milenares, cada despedida não é um adeus. É um amor em que você não fica gastando energia com besteiras, ele te traz tranquilidade, calmaria e bem-estar.

É claro que nada disso é regra, é só um padrão observado que, se pararmos para pensar, faz sentido. Quando a gente tira os relacionamentos da pauta e analisa só as nossas vidas, conforme vamos ficando mais velhos a gente busca essa tranquilidade de forma natural. Chega determinado momento da vida que você já não quer, por exemplo, ir para uma balada no fim de semana. Você prefere ficar em casa esparramado no sofá vendo um filme e petiscando um monte de guloseimas engordativas. Ir para a balada é ruim? Claro que não! Mas buscar a calmaria faz bem. Com o tempo você percebe que uma festa barulhenta já não te dá tanto prazer quanto o silêncio da sua casa, um lugar onde você consegue conversar sem ter que gritar.

A mesma coisa vale para os relacionamentos. É natural você acabar querendo um amor que seja calmo. Calmo na cobrança, calmo nos ciúmes, calmo nas discussões, calmo nas críticas. Cansa viver o tempo todo na tensão, medindo as palavras, medindo as atitudes… O amor tem que ser natural e tem que te trazer paz. Esse terceiro amor ao que o artigo se refere me parece ser bem desse jeitinho. É o amor que todos nós merecemos.

Você me enxergou

Eu estava ótima antes de te conhecer. Saí com as amigas em uma noite despretensiosa e, quando fui pegar uma bebida no bar, lá estava você com seu cabelo desalinhadamente penteado e sua camiseta justa, apoiando os cotovelos no balcão, atrapalhando minha passagem. “Com licença”, eu falei. Pronto. Você me enxergou.

Conversa vai, conversa vem, bebida esquentando, trocamos telefones e só. Voltei ao encontro das amigas e a primeira coisa que escuto é… “Hummm!! Quem é?”. “É só um gatinho que nem vai lembrar que eu existo amanhã”. Tá bom, viu! Mal acordo no dia seguinte e meu celular já apita. Recebi uma mensagem… Sim, é sua. Olhos arregalados diante da tela do celular, coração ligeiramente acelerado. Ok, vou responder. Respondi.

Sabe aqueles momentos em que você não está esperando nenhuma novidade na vida? Pois é, você chegou e mudou tudo isso. Nunca conversei com ninguém que respondesse minhas mensagens tão rápido, que gostasse das mesmas coisas que eu, que não deixasse o assunto morrer nunca. Você existe mesmo?!

Saímos algumas vezes e, de repente, você falou “Vou viajar, passar 2 anos fora. Vou fazer um Mestrado”. Como é que é?! Nem começamos e já vamos terminar? Estava bom demais para ser verdade. É claro que você vai embora…

Mantivemos contato? Sim, nos primeiros 2 meses. Você provavelmente arrumou uma namorada lá na gringa e eu fiquei aqui, conhecendo novas pessoas e tentando encontrar alguém igual a você que, no mínimo, respondesse rápido minhas mensagens de Whatsapp. Não encontrei não… Você me deixou mal acostumada.

Fazia 3 anos que eu não o via, você era mais magro e menos bronzeado, mas lá estava você agora, barba por fazer e uma cerveja na mão, novamente apoiando os cotovelos no balcão do bar. Puts… Você voltou? Voltou e me enxergou. Fui até você e nos demos um abraço que durou uma eternidade. Felicidade? Sim, com você ela existe.

O valor do amanhã

Não sei o que é pior, se é a timidez ou se é o orgulho. Talvez seja o orgulho. Apesar de ambos serem características péssimas que nos impedem de realizar ou dizer muitas coisas, no caso da timidez a gente, muitas vezes, consegue superá-la, seja por necessidade ou uma enorme força de vontade mesmo. Lembram do filme “Compramos um Zoológico” em que o protagonista fala sobre os 20 segundos de coragem extrema em que nada e nem ninguém nos impede de fazer aquilo que queremos? Pois é. Mas no caso do orgulho não é tão simples assim… O orgulho se instala dentro da gente e conseguir superar sua barreira é algo que só os seres mais evoluídos conseguem.

Quantas vezes, por exemplo, a gente deixa de pedir perdão para alguma pessoa por puro orgulho? Orgulho de admitir que errou, orgulho de dar o braço a torcer. Passado um tempo, você pode até reconhecer que deveria ter tido uma outra postura diante da situação, mas aí… Ah, aí já é tarde. Tarde demais.

Os arrependimentos aparecem quando o resultado final de alguma decisão que você tomou acaba não sendo exatamente aquilo que você esperava inicialmente. Infelizmente a maioria das pessoas dá valor à algo ou alguém apenas quando perde tal coisa ou tal pessoa.

O grande problema de tudo isso é que são nos momentos de tristeza e dificuldade que a gente percebe a besteira que fez. São nesses momentos que a nossa ficha cai e, de repente, aquilo que não parecia tão importante antes, agora ganha um valor inestimável dentro do peito.

Aquilo que você não dá valor hoje, pode ser aquilo que você mais dá valor amanhã. A dor da perda é impossível de se calcular, então não tenha medo ou pudor de dizer hoje para uma pessoa que você a adora, que você a ama, que ela é linda, que ela é o máximo, que ela é especial, que você gosta da sua companhia ou que você sente sua falta. Aliás, se está sentindo falta de alguém, por que não dá um jeitinho de se encontrar com tal pessoa? Já pensou se algo acontece e essa pessoa que você deixou para encontrar depois, ou nunca sequer tomou a iniciativa de dizer seus sentimentos, já não estará mais aqui amanhã para ouvir ou querer ouvir o que você tem a dizer? Imagina a dor que isso irá lhe causar… Então não deixe a correria do dia a dia, a timidez ou o orgulho te impedirem de fazer ou dizer as coisas certas.

Ame como nunca todos que fazem questão de estar perto de você. Olhe devagar para as coisas e deixe sua vida ser leve. Se uma coisa o tempo me ensinou é que não devemos guardar os sentimentos. Se desligue do que não é importante e mostre para os outros que você é diferente. Dê valor ao presente para que o amanhã não te faça sofrer.

Voa, tempo

À medida que vamos ficando mais velhos, o tempo parece que vai passando mais rápido. E isso, com certeza, não é uma percepção exclusiva minha ou sua. É claro que tudo não se passa de apenas uma sensação, afinal os anos possuem os mesmos 12 meses, 52 semanas e 365 dias de sempre (com exceção do ano bissexto), mas então por que parece que estamos vivendo dentro de um relógio acelerado?

Devem existir mil e uma teorias tentando explicar esse assunto, mas a minha se resume em uma única palavra: Rotina.

Lembram quando éramos crianças e o tempo parecia se arrastar? Como era longa a distância entre um Natal e outro? Podíamos até ter uma certa rotina do tipo “escola + algum curso qualquer + esporte”, mas na verdade a nossa mente absorve tanta informação nesse período da vida, nos fazendo viver muitas experiências pela primeira vez, que no fim essa sensação de ver o tempo passar mais rápido não é algo tão presente.

Conforme essas experiências vão se repetindo, nossa mente vai entrando num ritmo de inércia em que a gente realiza as atividades sem nem perceber. É como se nossa mente apagasse as experiências repetidas, fazendo com que nosso dia pareça curto e sem novidades. Vemos sempre as mesmas pessoas, comemos nos mesmos restaurantes, realizamos as mesmas funções no trabalho, reclamamos sempre sobre as mesmas coisas… Enfim, se a gente não se cuidar e começar a buscar novas atividades, a vida fica sem graça e vai sempre passar cada vez mais rápido.

Se você aproveita bem o seu tempo, fazendo coisas que gosta e com pessoas que gosta, pode ter certeza que o tempo também vai voar, mas por outros motivos… Ali, naquele momento, você acha que tudo está passando rápido demais e você quer que o tempo se prolongue para poder continuar sentindo aquela felicidade repentina. Momentos felizes tendem a acelerar o tempo.

Mas ver o tempo passar não é uma desvantagem. Às vezes, é uma necessidade. Voa, tempo, e leva com você essa dor no coração. Voa, tempo, e nos coloca em um momento de alegria. Voa, tempo, e faz essa saudade acabar.

Por que é bom dormir com chuva?

Você chega em casa e, de repente, desaba o mundo lá fora. A chuva começa e você parece não se importar com ela, fecha as janelas e segue a vida, até que chega a hora de dormir e pronto, a chuva ganhou a sua atenção.

Aquele barulhinho de água caindo no telhado e escorrendo pelas janelas te traz uma sensação gostosa, um relaxamento inesperado, uma calma. “Como é bom!”, você pensa. Sim, é bom demais mesmo. O barulho da chuva é constante e isso nos relaxa, pois ele abafa os sons não tão constantes que estão ao nosso redor, produzindo uma sensação de tranquilidade. Mas vou além… O barulho da chuva nos proporciona também uma sensação de segurança.

A água não para de cair, mas você está ali, abrigada dentro de casa, debaixo de um edredom fofinho nessa noite que é naturalmente um pouco mais fria. Mas o frio mesmo está fora de casa, pois ali debaixo daquele edredom você está rodeada pela segurança inabalável do seu lar… Ou está rodeada pelos braços de seu parceiro, que enxerga naquele momento uma boa oportunidade de estar juntinho, onde um corpo esquenta o outro.

Dormir com o barulho da chuva nos faz dormir mais rápido e ter um sono mais agradável. Não se surpreenda se no dia seguinte você acordar e não quiser sair da cama. A noite foi tão boa que você, provavelmente, vai querer continuar lá na sua cama aconchegante por tempo indeterminado. Mas a vida tem que seguir e, com ela, segue também a nossa torcida por mais noites assim e mais abraços apertados da pessoa que está do nosso lado.

A vida continua

A vida continua, não importa se você opta por seguir em frente e dar uma chance ao desconhecido ou escolhe ficar para trás, agarrado ao passado, pensando no que poderia ter acontecido. Por mais percalços que possam aparecer no caminho, a direção é única, devemos sempre seguir em frente. As opiniões mudam, os desejos também, mas no final o que importa é a vontade e o esforço de fazer dar certo, sem correr o risco de se arrepender depois de uma decisão que você deveria ter tomado, mas não tomou, faltou coragem. Curta as pequenas coisas da vida, pois um dia você pode olhar para trás e perceber que elas eram, na verdade, as grandes coisas. Sejamos todos felizes.

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